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Anônimo

Dom Nelson Francelino analisa os 10 anos de evangelização das juventudes desde Aparecida

10 anos do Documento de Aparecida e a Pastoral Juvenil tem a urgência de discípulos e missionários para uma Igreja jovem em saída.

Foto: Gustavo de Oliveira
De 13 a 31 de maio de 2007 acontecia a V Conferência Episcopal Latino-Americana e do Caribe, na cidade de Aparecida. Esta conferência apontou várias direções e caminhos para toda a igreja latino-americana e caribenha em vista a um estado permanente de missão. Muitos deles  foram extraídos do espírito mesmo do Concílio Vaticano II, este que representou uma "guinada copernicana” sobre todos os projetos e modelos evangelizadores, bem como da nossa maneira de pensar e fazer a Pastoral Juvenil. 

Em sintonia com as prerrogativas da Conferência de Aparecida, também surge o marco referencial da Pastoral Juvenil, ou seja, o Documento 85 da CNBB que nos apontam caminhos novos para intensificarmos a evangelização da juventude. Esses dois documentos foram acolhidos como um sopro do Espírito Santo na vida da Igreja juvenil do Brasil. 

Podemos destacar algumas  linhas de frente desses dois Documentos:
1 - A promoção humana e que abre as perspectivas para que os seres humanos se relacionem, respeitando a pluralidade e a reciprocidade. Na era das redes sociais, continua este ponto atual. Como precisamos promover o ser humano para que este seja sujeito de seu próprio desenvolvimento e se insira na comunidade. Como é importante que uma igreja missionária esteja voltada para o tema da vida que ameaça a tantas pessoas.
2 - A conversão pastoral, esta ainda é desafiadora em nosso tempo.  Somos convidados a superar uma igreja de cristandade, para uma pastoral orgânica e estruturada. Creio que demos passos significativos, através da Rota 300 com seis eixos, no aprofundamento da compreensão acerca da proposta do Setor Juventude nas dioceses com vista a atenção às atenções eclesiais para várias situações de riscos em que vivem nossos jovens. Mas ainda não podemos ser vencidos pelos limites, e nesse meio tempo fomos agraciados por Deus, que nos concedeu o Papa Francisco que, através de seu pontificado, leva o mundo inteiro às intuições do Documento de Aparecida, incentivando a testemunharmos uma igreja em saída, para que possamos estar nas diversas periferias existenciais e geográficas. 
3 - O itinerário catequético para fazermos novos discípulos missionários. O caminho apontado nesses anos e sempre inspirador em Aparecida foi:
a) A experiência da fé – em tempos que dormimos em cima do relógio, sempre é urgente e devemos ter a ousadia do despertar para a fé no encontro pessoal com Cristo e sua experiência profunda.
b) Formação bíblica e teológica – para todos os agentes. 
c) Uma Igreja da acolhida – a valorização de cada experiência de evangelização juvenil com a estruturação e valorização do Setor Juventude nas (arq)dioceses.
d) Um compromisso missionário de todas as expressões em defesa da vida em todas as suas etapas e expressões. Aqui tanto nos serviu a Evangelium Gaudium do Papa Francisco, a Laudato SI, o Docat e tantos outros apontamentos do seu brilhante Pontificado.

A Pastoral juvenil muito ainda tem que aprimorar do Documento de Aparecida, já demos inúmeros iniciativas, inspiradas nos três eixos traçados para o Rota 300: estruturação, missão e assessoria.

O Papa Francisco muito tem nos ajudado. Ele conhece bem o texto do Documento de Aparecida, pois foi secretário e relator da Conferência. A estrada para implantá-lo é longa.  O Documento precisa ser ainda testemunhado com maior empenho na vida pública, no mundo urbano e no mundo das comunicações.

Em tempos que precisamos de muitas respostas, nos unamos com todas as nossas expressões e com todos os que assumem seu batismo, trabalhando pelo Reino nesta causa. A causa do Reino da Vida para todos. Ainda precisamos de muitos testemunhos em muitos lugares que necessitam de luz no meio das sombras em que se vive. Mas, a Pastoral Juvenil, sempre se empenhando no diálogo e apoiando toda e qualquer forma das expressões, está fazendo sua parte. 

Dom Nelson Francelino Ferreira, aos participantes do II Encontro Nacional 
de Revitalização da Pastoral Juvenil (Brasília, 7 - 9 de setembro de 2017)
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Anônimo

Pentecostalismo: Desafios à Pastoral

Este texto pretende contribuir com a reflexão pastoral, já que no dia a dia lida com o movimento pentecostal. Para melhor e mais justamente fazer o apanhado sobre esse movimento teremos como referências alguns autores, como Libânio, com sua obra “Cenários da Igreja”; o teólogo luterano Hahn, autor da obra “O Espírito Santo”; também contaremos com a contribuição do catedrático da Gregoriana Sullivan, autor de ‘Carismi e Rinnovamento Carismatico” e ainda com o pesquisador brasileiro, Alderi de Matos.

1. Introdução
O tema sobre o pentecostalismo não pode fugir ao paralelo entre este e o Pentecoste, de modo que um primeiro propósito é a verificar a proximidade e distância que há entre aquele evento narrado em Atos dos Apóstolos e o movimento pentecostal; Uma constatação histórica é que após o período bíblico surgiu um líder cristão chamado Montano, no século II, que alegava visões e revelações particulares, pelo que adquiriu autoridade acima da Igreja para anunciar o evangelho. Esse teria sido o primeiro germe do pentecostalismo, depois, surgiram nos séculos XIV e XX, movimentos no interior do protestantismo norte-americano fenômenos de revelação particularizadas e glossolalia (falar em línguas), e daí surgiria o movimento pentecostal. Com isso se demonstra que o pentecostalismo tem uma gênese personalista. São entes que recebem revelações privadas e dons particulares, e que rompem com a tradição da Igreja Católica e das Igrejas históricas da Reforma.
O pentecostalismo do século XX, século no qual realmente se cimentou, só o pode devido ao contexto cultural, a tanto, que a migração do movimento para as igrejas históricas só se deu com força a partir de década de 1960, período das liberdades sexuais, das revoluções por liberdade. Nesse período, o eu vai gradualmente assumindo o primeiro lugar, que antes era do nós. É uma tendência que se arrasta desde essa década até os nossos dias. Com essa emergência do eu, surge um modo religioso que o ampare, que esteja de acordo com a cultura, em especial com a cultura neoliberal, onde o consumo passa a marcar definitivamente o valor da pessoa. Aqui também, o consumo passa a marcar se a pessoa é ou não religiosa. Os pentecostais são marcados profundamente pelo montante de dinheiro que fazem circular em mercadorias religiosas. Lógica neoliberal é tão presente no mundo pentecostal, que favoreceu a inauguração do movimento neopentecostal, que se sustenta em uma das mais firmes bases neoliberais: o consumismo. Travestido na religião como teologia da prosperidade.
São muitas as janelas de discussão que se abrem, contudo fixemos o olhar no movimento pentecostal, sua origem, características e expansão.

2. Elemento histórico
Na história do cristianismo sempre foi relevante a presença da terceira Pessoa da Trindade Santíssima; é o que narra At 2, como tantas outras passagens, mas é especialmente na comunidade de Corinto onde acontecem expressões “carismáticas” vindas do Espírito; naquela ocasião, São Paulo tenta esclarecer que os dons do Espírito Santo estão sempre para o bem da comunidade, ele é integrador, a finalidade primeira é a comunidade (1Cor 14,4). Contudo, o que ocorreu em Corinto e em outras comunidades paulinas, não necessariamente é o mesmo fenômeno que se passa hoje no movimento pentecostal. Segundo Sullivan, “a glossolalia de Corinto não se tratava simplesmente de suspiro ou gemidos inarticulados, mas de um discurso semelhante a uma linguagem, incompreensível, seja a quem reza, seja a quem escuta” (Sullivan p. 145, tradução própria). Portanto, a comunidade de Corinto  não necessariamente coincide com a realidade que se apresenta hoje. E no mais, os dons do Pentecoste, dom de ser entendido em várias línguas (At 2, 11) é de fato o que se passa com Pedro. Ele não fala em várias línguas e nem em uma língua estranha a todos, mas pelo contrário, ele é entendido por pessoas de línguas distintas. Isso quer dizer, o Pentecoste é integrador, a sua linguagem é entendível a todos os ouvintes.
Outro movimento que pode se prestar como uma expressão pentecostal, é o movimento Montano. Já citado antes, esse movimento caracteriza bem a identidade pentecostal. Montano, homem piedoso, intitulou-se detentor de revelações privadas. Ainda no século II, seu movimento logo rompeu com a Tradição Apostólica, alegando ter comunicação direta com o Espírito Santo; essa convicção foi tão forte, que o movimento de Montano rompeu até mesmo com as Sagradas Escrituras. O nuclear no montanismo é a profecia, isto é, a comunicação direta com Deus, as visões e profecias. Este movimento traz elementos semelhantes aos que encontramos hoje no movimento pentecostal, tanto de corte protestante, quando católico. Esses “espirituais” sempre voltaram ao longo da história do cristianismo, sempre alegando estreita intimida com a terceira Pessoa da Trindade.
Há um elemento que está ainda no período apostólico que é o batismo no Espírito Santo. Ali, o batismo no Espírito Santo é o que distingue o batismo de Jesus, daquele aplicado por João Batista (Mc 1,8). Esse batismo é na tradição apostólica o ingresso na comunidade dos fiéis, e para o credo católico há um só batismo, no entanto, “quando os católicos iniciaram a aprender parte da experiência pentecostal, aceitaram em geral o termo ‘batismo no Espírito Santo'”, o que cria uma dificuldade com a doutrina da Igreja. São Tomás de Aquino, tratando da possibilidade de uma segunda vinda do Espírito Santo, compreende que essa nova vinda não pode se tratar de um carisma novo somente, mas mais rica é essa presença, que muda a alma da pessoa, ou seja “o novo tipo de presença não se pode implicar uma mudança em Deus; contudo, o que se dá mesmo, é uma verdadeira mudança, na pessoa na qual Ele se faz presente” (Sullivan, p. 76). De modo que a uma nova vinda do Espírito Santo na doutrina católica está plenamente associada à vida sacramental: crisma e ordem. Contudo, o preceito pentecostal, por suas raízes protestantes, logo se desvincularam do elo sacramental, e puseram o batismo no Espírito Santo como elemento fora dos sacramentos, e sua efetivação se daria por meio de um sinal: o dom de línguas.
Essa compreensão do dom de línguas se encontra mais salientemente no século XX, quando em “1900, um pregador metodista…criou um instituto bíblico na cidade de Topeka, no Estado do Kansas…há cerca de dez anos ele vinha ensinando a glossolalia- falar em línguas desconhecidas e estrangeiras- deveriam acompanhar o batismo no Espírito Santo.’ (Matos, in http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XI__2006__2/Alderi.pdf, acessado em 16 de janeiro de 2015). O dom de línguas passaria a ser, a partir do século XX, a distinção do movimento pentecostal em relação aos demais movimentos protestantes.
Os católicos pentecostais tiveram que explicar o termo batismo no Espírito Santo, uma vez que estava em discordância com a doutrina sacramental da Igreja. Nessa explicação passaram a entender o batismo no Espírito Santo como uma efusão na experiência consciente, do Espírito que já estava presente desde a celebração da iniciação cristã (batismo e crisma) (Sullivan, p. 68). Essa explicação se avizinha à visão de Tomás de Aquino, diz Sullivan, “o primeiro ponto que ele [Tomás de Aquino] considera é que quando falamos do envio de uma pessoa Divina, não podemos pensá-lo como um movimento de um lugar a outro, ou um devir presente onde a Pessoa não estava presente antes. Pois o que acontece é  que o “devir” presente da Pessoa Divina se dá onde ela já estava, mas agora com um novo tipo de presença.” (Sullivan, 76).

3.  Pentecostalismo: alguns elementos
Antes de elencarmos mais propriamente suas características, vale colocar em paralelo o movimento pentecostal e o evento do Pentecoste. Segundo Hahn, um teólogo luterano, “o Espírito Santo agrega as pessoas. Age de maneira a proporcionar unidade e extingue as cisões e divisões” (Hahn, p. 21). Ele se refere a isto baseado em At 2,41, quando do batismo após o discurso de Pedro. Mas podemos ir além. O próprio discurso de Pedro em At 2 é agregador, ao revelar o mistério de Jesus e ao ser entendido por gente de diversas origens étnicas e de idiomas distintos. É o Espírito que se serve à unidade, pois “o Espírito Santo vincula não apenas as pessoas a Deus, mas também as pessoas entre si. a fé cristã remete sempre à comunidade” (Hahn, p. 23). Essa insistência de Hanh na unidade operada pelo Espírito Santo talvez se dê por  a Igreja Luterana ter experimentado uma das distinções entre o Pentecoste e o pentecostalismos: a dispersão. Sim, à medida que a revelação é particularizada e abre-se mão de toda e qualquer tradição eclesial, para se viver guiado por um vidente, surge então a dispersão. A tanto que uma distinção entre o Pentecoste e o pentecostalismo é que o primeiro dá corpo à Igreja, já o segundo origina grupos distintos dentro do cristianismo. O pentecostalismo torna a experiência cristã individualista e por tal mais pluralista, de modo que ‘quanto ao perfil de grupos pentecostais, não se pode reconhecer para eles uma doutrina representativa, já que são consideráveis as diferenças, entre os diversos grupos.” (Hahn, p. 47).
O cristianismo de corte pentecostal se difere essencialmente do Pentecoste por em muitas de suas expressões abrir mão do ensinamento dos Apóstolos, romper com a Tradição. Essa ruptura seria já uma característica acentuado do movimento pentecostal, pois mesmo no meio protestante, há rupturas com a proposta da Reforma, para dar origem a uma nova Reforma Protestante, dentro do próprio protestantismo. Isso acontece em especial no movimento neopentecostal.
No seu livro “Cenários da Igreja”, Libânio ao passar do cenário institucional ao carismática elenca algumas características de diferenciação entre esses cenários, a saber, “passar-se-á para um cenário quase oposto. Em vez da instituição, triunfará o carisma. Em vez da lei objetiva, a subjetividade. Em vez do clima controlado das normas litúrgicas, a exuberância da emoção” (Libânio, p. 49). Esse paralelo levanto por Libânio coloca em relevo a chave de acesso ao pentecostalismo: a emoção. Ao se falar emoção, o que se quer dizer mais a fundo é subjetivismo. A religião pentecostal retirou do centro da fé os formalismos das diversas tradições cristão, e trouxe o subjetivo. Cada indivíduo vive sua experiência de Deus. Perde gradualmente a consciência de Povo e entra a consciente do eu diante de Deus.
A mudança de acento do nós para o eu se mostra em especial na música e na produção literária. As músicas deixam de evocar qualquer compromisso social, para referir-se ao íntimo de um eu que deseja algo de Deus. É uma relação profundamente pessoal. Os livros, tanto do pentecostalismo protestante, quanto católico vão se confundir com livros de autoajuda, beirando o esoterismo, com fórmulas mágicas para a felicidade e para se ganhar dinheiro. Tudo isso acontece em função da centralidade no eu na relação com Deus. Poderíamos dizer: se a glossolalia é o sinal do batismo no Espírito Santo, a centralidade do eu é a marca mais peculiar do pentecostalismo.
Poderíamos nos perguntar: porque essa emergência do eu?-  Há muitos escritos sobre a pós-modernidade e o predomínio do subjetivismo e individualismo. Sobre isto escreve Lipovetsky (filósofo francês), que nos dias atuais o que importa é “a vida em fluxo nervoso”, tudo assume um caráter imediato, com relações tênues, por isso os valores mudam e ainda se soma a isto a competitividade presente na vida escolar, vida de trabalho e até mesmo na vida familiar. Tudo isso traz plausibilidade à centralização do eu. E diante de tal realidade a prática religiosa passa a assumir as mesmas características da cultura: subjetivismo, centralidade do eu, competitividade, consumo, religião da imagem, midiática. O que a faz facilmente romper com a tradição, o que é problemático para o pentecostalismo católico, uma vez que a Tradição é um elemento fundamental na sua doutrina.
Olhando as características do pentecostalismo, Libânio expõe algo que não só a ele, mas nós também surpreende, “um balanço teológico deixa-nos perplexos- tal cenário se anuncia mais religioso que cristão. Pode-se falar mesmo que tem traços neopagãos. Mais que expressão de uma autêntica Igreja de Cristo” (Libânio, p. 54). Para dizer isso ele se baseia na leitura da Palavra que é feita mais de forma esotérica que como caminho de conversão (Libânio, p. 65); e as diversas formas de presentismo que dispensam vinculação com um compromisso maior, como com o Reino de Deus. Mostra-se e vive-se uma religião fundamentalista, mas com pouco influxo sócio-transformador. É uma religiosidade repleta de curandeiros, basta ver as diversas exposições na mídia. Os movimentos de massa se dão especialmente sustentados em coisas mirabolantes, tal qual a busca pagã para sair do sofrimento, para fugir de sua condição humana. As pessoas no paganismo não buscavam as divindades por convicção de fé, mas por alguma superstição vinculada a amuletos, a textos esotéricos e a visões mirabolantes.
O que a história apresenta de vantajoso nesse movimentos, é que os diversos teóricos, mesmo teólogos católicos e protestantes visualizaram um enfraquecimento mortal para o cristianismo na passagem do segundo para o terceiro milênio, contudo, não só devido a ele, mas também contando com ele, o cristianismo entrou no terceiro milênio com grande expressão de presença. O pentecostalismo trouxe um renovado ambiente cristão, fincado nas emoções e numa nova forma de vincular-se à Deus, isto é, quase não se precisa mais de uma instituição. O clero é substituído por leigos carismáticos, que levam massas às sua pregações; as missas perdem o patrimônio litúrgico e passam a assemelhar-se com os cultos pentecostais, é o que se chamou no século XX de missa-show. Em verdade se pode aprender algo com isso, contudo é preciso se perguntar: assim somos mais cristãos ou só mais neoliberais?
Todo o ambiente pentecostal, por estar estreitamente identificado com a cultura neoliberal é um movimento que atrai, é um movimento que segundo o censo de 2000 tinha 67% dos protestantes do Brasil, na época, mais de 17 milhões de pessoas. No catolicismo fala-se em mais de 10 milhões de pentecostais no Brasil. O pentecostalismo é de fato um fenômeno digno de nota e “alvissareiro para alguns e inquietante para outros- é a adoção da cosmovisão pentecostal nas igrejas históricas, quer católica, quer protestantes, através do chamado movimento carismático ou de renovação” (Matos in http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XI__2006__2/Alderi.pdf). Para o teólogo luterano Huhn trata-se de uma resposta, diz ele: “também nas igrejas históricas verifica-se uma resposta ao movimento pentecostal. Nos anos de 1960 também houve movimentações eclesiásticas na Igreja Católica Romana, na Igreja Anglicana e nas igrejas protestantes” (Hahn, p. 52).

4. Conclusões pastorais
O movimento pentecostal é uma realidade histórica, que penetrou o ambiente cristão, em especial nos países da Áfria e Américas; sua força se encontra, salvo Estados Unidos, em países pobre ou emergentes, como o Brasil. De modo que se afirma como alternativa de inclusão no mundo do consumo. Exatamente isto, ao a camada mais pobres ingressar em um grupo pentecostal ou neopentecostal, nas periferias das grandes cidades, deixam de ser anônimos e passam a ser pessoas distintas. Com a ocupação midática, o movimento passou a mexer com a autoestima de seus membros. As obras faraônicas, nas quais eles têm parte também os faz sentirem-se importantes. Pelo que o pentecostalismo presta esse serviço: inclusão no mundo do consumo; é algo a que a pastoral deve atentar, pois daí decorre todo um mercado religioso distinto das lembrancinhas de santuários. Surge um mercado fonográfico gospel, agenda de shows, programas de TV e rádio. Tudo em nome da evangelização. Do ponto de vista pastoral é preciso entrar nesse contexto, mas sem perder o Cristo servo-sofredor.
A pastoral também se depara com o patrimônio liturgico e a novidade pentecostal. Como teve origem no mundo protestante, em especial nos Estados Unidos, o pentecostalismo pouco possui de rito, de decoro cerimonial, tudo acontece na medida do pregador. É dele as normas e as façanhas no culto. Por outro lado, no ambiente católico o culto é um patrimônio sagrado, isto é, divino, que não pode e nem deve se sujeitar a cada padre ou grupo de pastoral, por isso a liturgia sofre o desafio de não perder a sua essência, mas também não abandonar essa realidade onde predominam as emoções. É um desafio pastoral para se buscar a justa medida.
Outro elemento para a pastoral frente ao pentecostalismo é a autonominação. Um exemplo é o termo ministério. No ambiente protestante isso é mais flexível, pois são muito mais personalistas e menos institucionais; já para o ambiente católico um ministério somente o é de fato quando conferido por um Bispo; portanto, ninguém pode se intitular ministério de música, ministério de pregação…e assim vai; isso é uma clara influência do ambiente pentecostal protestante. Sobre isso trata o Documento de Estudo 107 da CNBB.
Por fim, muito mais se poderia dizer, contudo, em vistas de não mais me alongar fico por aqui. Que as nossas comunidade católicas, à luz do Espírito Santo, possam no amadurecimento da fé encontrar o bom termo para, sem abrir mão do que ela é de fato, abraçar novidades que ajudem na sua lida pastoral.

Abimael F. Nascimento
Mestre em Teologia Sistemática
Especialista em Psicopedagogia
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Histórias de Desembocadura - Junior, da JMV Bela Cruz

Francisco das Chagas Morais Junior, é um jovem belacruzense, desde criança tem uma aproximação especial da Igreja católica, influenciado pelos pais que tem o costume de reunir a família para rezar o terço e estimulado pela mãe, D. Rosário, ainda pequeno já ajudava na Igreja Matriz como Acólito.
Em sua adolescência conheceu a Juventude Mariana Vicentina – JMV de Bela Cruz e passou a fazer parte da mesma. Atuou no grupo por mais de 04 anos, participando de atividades locais, regionais, e provincial, desenvolvendo, com Yuri Silva, uma função específica na coordenação – núcleo de Cultura/Esporte.
Atualmente, já em seu processo de desembocadura, noivo, prestes a contrair matrimônio com Bárbara Carvalho, uma jovem que também vem da JMV, assumiu a coordenação do Terço dos Homens na Capela da Mãe Rainha, do bairro onde mora – Córrego Grande, quando todas as quintas-feiras, às 19h, anima os participantes a louvarem a Mãe e Deus e a Jesus Cristo por meio do terço contemplado e meditado.
Pedimos orações por seu ministério e que também escrevam para o site da Província contando suas experiências com Cristo.
Até breve!

Serviço
Conte-nos sua história de desembocadura! Envie-nos um e-mail para  o correio comunicacao@jmvfortaleza.org
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UMA IGREJA DENTRO DA OUTRA?

A pluralidade de carismas e uma igreja de mudanças.
No balancê da rotina e nas viagens de ônibus do dia-a-dia, é comum pensar sobre tantas coisas entre um intervalo e outro que você demora a chegar em tal lugar, passando de terminal em terminal de ônibus na loucura do trânsito. 
Desde as besteirinhas da vida, ao problemas rotineiros, de família, namoro e até de religião (claro, se você tiver alguma ligação com esse assunto). Nesta manhã, me peguei pensando mais uma vez em algo que costumeiramente anda tomando conta da minha cabeça e nas vivências desta pré-jornada: a diversidade de carismas da Igreja Católica e a “briga” por espaços entre movimentos. Pois bem, a reflexão não é de hoje, mas trás bons questionamentos, já que neste momento a Igreja Católica vive um momento ápice da sua fé, entrelaçada por tantos carismas vividos pela juventude católica.
Pus-me a refletir sobre a caminhada da Igreja Católica nos últimos tempos e até sobre sua história, relembrando das bases conceituais dos meus estudos sobre a caminhada dessa instituição que é parte do mundo. Os primeiros questionamentos são claros e tem uma ligação direta com fatos históricos. Se formos buscar no fundo do baú o porque da pluralidade de carismas que temos hoje na nossa Igreja, perceberemos que o motivo se findou com a necessidade de renovar-se e reacender o fogo dos cristãos que se limitavam em apenas pegar no terço e dizer que é católico.
Da era medieval para cá, muita coisa mudou. A Igreja perdeu prestígio, surgiu o luteranismo e uma enxurrada de novas seitas, vieram questionamentos, a separação do Estado e a Igreja com o Estado Laico. Historicamente, podemos considerar que houveram pontos positivos e negativos sobre essa onda de mudanças. Diante do retrocesso ao seguimento do catolicismo e o surgimento de outras influências religiosas, posteriormente a Igreja começa um processo de restauração e se adapta a um novo tempo. Um dos resultados de toda essa mudança foi a quantidade de grupos, movimentos, pastorais e comunidades novas que surgiram no decorrer dos anos. Todos esses movimentos trabalham de forma inovadora,  subjetiva e pelo mesmo motivo: Evangelizar. 
Até aqui tudo bem, mas quero atentar para a relação entre esses novos grupos da Igreja. Não vamos muito longe para recordar de como anda essas relações e logo lembramos de alguma “briguinha”, algum comentário que ouviu sobre a outra comunidade ou movimento, algum evento realizado na paróquia que os grupos brigavam para assumir algo ou até mesmo o empurra, empurra de acumulo de funções na paróquia. Sobre toda essa competição ficam alguns questionamentos sobre essas mudanças, surgimentos de tantos carismas e ação destes dentro da Igreja: Porque tantos ainda insistem em fazer essa separação e até exclusão dos carismas dentro da Igreja se ela é uma só? Até quando vamos ver essa briga por espaço?
Os questionamentos podem parecer estranhos para alguns, mas não muito distante da realidade de outros que vivem isso. É comum vermos dentro da Igreja a briga desses grupos que competem espaço e até fieis. Quando na verdade não era para ser assim já que todas esses grupos, movimentos, pastorais e comunidades trabalham pelo mesmo objetivo.
Você pode até discordar, mas se parar pra pensar vai perceber que infelizmente isso ainda é uma realidade dentro da Igreja Católica na sua pluralidade de carismas. Daí, você me pergunta: Então o problema é porque existem muitos carismas na Igreja? E eu te respondo que não, redondamente com um não, não é esse o problema. O surgimento desses grupos na Igreja faz parte dessa nova cara do catolicismo e isso é muito bom. O que não é legal é essa contradição de querer evangelizar e ao mesmo tempo querer derrubar o outro. Por conta disso muitos grupos estão em discordia com essa quebra de braço na luta por fieis aos movimentos específicos. É claro que não vou citar aqui apenas pontos negativos e dizer que todos os movimentos da Igreja são assim, porque não são. Graças a Deus ainda existem muitos movimentos que vivem em harmonia e que não se deixam levar pelo egoísmo e o desrespeito ao movimento do outro.
Muitos ainda não percebem, mas esse tipo de atitude é muito fácil de se ver por aí entre as paredes das paróquias. Desde o preconceito em participar e criticar um determinado evento ou por dizer que não escuta determinadas músicas porque faz parte do carisma tal, ou que tais atitudes são consideradas erradas porque é de um carisma diferente do seu. Ora, se algumas práticas de um determinado carisma são diferentes do seu, só lhe resta respeitar e deixar de criticar o outro.
Assuma seu carisma e seu dever de cristão de evangelizar e fazer parte da barca de Pedro, a Igreja viva que queremos hoje. Não existe o certo e o errado, só existe uma única verdade aqui e nós já sabemos que é Jesus Cristo. Por ele é que fazemos todas as coisas e temos tantos carismas na Igreja. Toda essa diversidade a torna linda, isso é o que importa. Todos tem o mesmo objetivo, tem a mesma mãe e o mesmo Deus, independente das orientações específicas de cada seguimento. Vicentinos, carismáticos, missionários, pastorais e tantos outros seguimentos que temos por aí resumem-se a um organismo só: A Igreja instituída por Pedro que hoje permanece viva no amor de CristO.
por Catarina Érika Morais Lima
Coordenadora de Comunicação
da Juventude Mariana Vicentina de Fortaleza
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Um Milagre por Intercessão de Maria

Um Milagre por Intercessão de Maria
Eu me chamo Carlos Célio do Nascimento, tenho 33 anos, casado, pai de um filho, natural de Bela Cruz no Ceará e membro da Igreja Católica Apostólica Romana. Sirvo como músico no grupo “Boa Nova” e na Capela São Paulo Apóstolo. Participei, dentre outros, da Juventude Mariana Vicentina, que carinhosamente a chamo de Marial, grupo cenário do principal relato desse testemunho: Um milagre alcançado por intercessão de Maria.
Apesar de ser um rapaz que sempre gostou de beber, nos fins de semana, e fumar, diariamente uma ou mais carteiras de cigarro; nunca fui uma pessoa muito afastada da Igreja e, ainda muito jovem, nesse âmbito conheci Luciola, minha atual esposa.  Ela participava do Marial, um motivo a mais, para também eu, frequentar o grupo.
Certa vez acompanhei minha noiva ao grupo, aquele era justo o dia em que Ela se consagraria a “Jesus com Maria”, só depois percebi que Deus já tinha providenciado tudo. Ademais de Lucíola, outros jovens também se consagraram no dia - eu não deixei a graça passar, e também me consagrei com eles, pedindo-Lhe, minha libertação. As palavras da Assessora, na hora do ato, foram sanadoras; ela falava do amor com que Nossa Senhora nos apresenta a seu Filho Jesus, da mensagem da Medalha Milagrosa e das graças que conseguiríamos com ela. Aquelas palavras não caíram no chão, pois a glória de Deus tomou toda a minha vida a partir daquele instante. O ato da consagração me libertou dos vícios do cigarro e da bebida. Não foi algo mágico, mas uma verdade milagrosa. Passei a reconhecer o Espírito de Deus em mim por meio de Maria e consegui a cura. Louvado seja Deus!
Depois do feito, nasceu um novo Carlos. Cada vez mais, fui me fortalecendo no grupo, através da fidelidade na oração e no serviço, como compete a todo jovem consagrado – frequentando a missa, rezando diariamente o terço e assumindo um ministério fixo no grupo. A mudança foi notada e, mais que comentada, celebrada por mim e pelos que me circundavam.
Não poderia ser frívolo o bastante para omitir que o processo foi e continua sendo difícil. Recordo que dias depois que havia me acontecido o milagre, saindo de casa, fui tentado, ao encontrar uma carteira aberta, mas com todos os 20 cigarros ainda por fumar. Colhi-a do chão e quis fumá-los, mas meus instintos foram interceptados pela força do alto - Maria passou na frente, e o desejo daninho foi sanado. Como esse, muitos foram os desvios que o mundo não se cansou de apresentar-me, inclusive o de me levar a uma outra Igreja, onde tentaram me fazer crer numa verdade excludente que só me trazia conflito de fé, problemas na família e no grupo que me tinha me ajudado a sair do fundo do poço. Período em que sonhava, constantemente com a Virgem Maria – “ora pairava em silêncio ao meu lado, ora caminhava comigo, me levava para o alto de onde víamos a terra...” Ela nada me falava, mas muito me dizia - teria que seguir adiante, honrando o seu Santíssimo Nome e o de Jesus Cristo, com minha oração e serviço aos mais necessitados.
Cristo não nos disse que a vida ia ser fácil, mas que estaria conosco até o final.  E mais do que nunca, desde minha consagração sinto a presença real d’Ele e de nossa querida Mãe em mim. A medalha que trago no pescoço é símbolo dessa verdade, e memória palpável de uma proteção tão real quanto à mesma, circundado o meu ser.
Sou eternamente grato a Deus por não me abandonar na caminhada; por haver me apresentado a JMV; me presenteado uma Família; me dado bons amigos... O agradeço por todos os que de alguma forma colaboraram para que eu pudesse seguir rendendo glórias pelos pequenos e grandes milagres que continuam acontecendo na minha e em nossas vidas. Obrigado Senhor!
Ó Maria concebida sem pecado. Rogai por nós que recorremos a vós! 
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BICENTENÁRIO DE OZANAM

Abertas as cortinas de 2013 - Vicentinos e Vicentinas –,  se transformaram em protagonistas de um fato mundialmente singular, ou seja, a comemoração do Bicentenário do nascimento do Beato Antonio Frederico Ozanam (1813-1853) que, aos 20 anos de idade, fundou (Paris) a Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), há 180 anos.
A busca da santificação pessoal e como colocar em prática o amor ao próximo (Mateus 22: 35-40), motivaram Ozanam e seus companheiros Paul Lamache (23), Félix Clavé (22), Auguste Le Taillander (22), Jules Davaux (20), François Lallier, Adolph Bordon e Emmanuel Bailly (42) a fundar essa Rede de Caridade.
Somente uma organização que tem, solidamente, definida a sua missão, visão, valores e normas de procedimentos consegue sobreviver com eficácia, a tantas mudanças sociais, científicas, econômicas, tecnológicas e culturais.
Quantas empresas, muitas administradas por verdadeiros gênios em gestão organizacional, existem no Brasil e no mundo com a mesma longevidade da SSVP?
A SSVP tem ações espalhadas por 143 países, com aproximadamente 51.000 Conferências Vicentinas (grupos de voluntários), 700.000 membros efetivos e 1.500.000 colaboradores nos 05 Continentes.
São Vicente de Paulo (1581-1660) foi adotado como patrono, pela sua incondicional dedicação aos pobres.
Hospitais, creches, casas de repouso para idosos, dispensários para distribuição de alimentos e vestuários, centros de formação espiritual, reuniões e visitas domiciliares (semanais) aos seus assistidos e gestão das mais diversas obras sociais, são algumas das obras vicentinas.
Em Jundiaí há 116 anos, os vicentinos foram reconhecidos pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SEMADS), como os pioneiros na implementação de projetos sociais que tem como objetivo a promoção integral do Ser Humano.
Em atenção ao nosso pedido, o Exmo. Vereador Leandro Palmarini indicou, e a Câmara Municipal de Jundiaí concedeu no ano passado, o Diploma de Reconhecimento à SSVP, pelos relevantes serviços comunitários prestados a nossa população carente.
A entrega solene ocorreu em nosso  centenário Teatro Polytheama, com a presença de mais de mais de mil pessoas, autoridades e representantes de todos os segmentos de nossa sociedade.
Como vicentino, e Diretor (sem remuneração) do Hospital São Vicente de Paulo, tivemos a felicidade de participar de um dos mais significativos eventos do Terceiro Setor de nossa cidade. Nascia, no dia 02 de outubro de 1967, a primeira Conferência Feminina jundiaiense, que recebeu o nome de Santa Isabel, Rainha da Hungria. Hoje, são centenas de mulheres que atuam brilhantemente junto aos assistidos.
A contribuição da mulher, no cotidiano das diversas atividades vicentinas, representou um gigantesco salto de qualidade no atendimento, pois determinadas situações que se referiam a individualidade da mulher assistida, não tinham como ser abordadas pelos confrades.
Na busca contínua da formação cristã, no exercício da evangelização e na missão de levar aos seus assistidos princípios de cidadania, os vicentinos têm contado com o inestimável acolhimento da Igreja Católica.
Em comemoração ao Bicentenário do nascimento do Beato Frederico Ozanam – profeta do empreendedorismo social - uma série de eventos especiais será desenvolvida pelos quatro cantos do planeta.
Encerramos com a seguinte reflexão: não basta se indignar com as injustiças sociais – é preciso agir para reduzirmos o profundo abismo existente entre a ilha de ricos e o oceano de pobres. 

Faustino Vicente
Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos
e-mail: faustino.vicente@uol.com.br
Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo – Brasil
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